Li este artigo praticamente boquiaberta. Porque já senti uma parte, ainda que pequena, das coisas descritas. Não sou um caso remotamente parecido com o do autor desse texto. Relaciono-me minimamente bem com outras pessoas, apesar de ser tímida e até anti-social. Faço uma vida perfeitamente normal sem utilizar álcool ou calmantes. Mas a ansiedade tem efeitos fortes em mim, e desde há algum tempo começou a provocar danos na minha saúde. Vou para o trabalho com uma caixa de Xanax na mala, ainda que não os tome. Tenho ataques de ansiedade recorrentes, conforme os momentos de mais ou menos stress. Comecei a causar preocupação à minha família, e foi aconselhada por profissionais de saúde a procurar ajuda psicológica.

E ler este texto fez-me assimilar que o que sinto é terrivelmente comum. Uma das coisas mais terríveis que podemos sentir é que os outros não nos entendem. Que as pessoas com quem nos relacionamos não conseguem perceber os nosso sentimentos. Que estamos sós no mundo, presos dentro do nosso corpo ou da nossa mente. Claro que já toda a gente sentiu isto, por muito motivos. Claro que eu já senti isso, quando percebi que era homossexual, quando comecei a ter ataques de ansiedade. Achei que ninguém no mundo sentia o mesmo que eu. E perceber que existem muitas outras pessoas a passar pelo mesmo que nós, ou por pior ainda, é reconfortante. Perceber que aquilo que está errado dentro de mim não fará de mim alguém menor, menos capaz, menos bem sucedida na vida, alivia muito.

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