Antigamente tínhamos a alegria sob a pele
oculta na caligrafia de cada gesto
nos lábios o abandono os estilhaços
a inocência

tínhamos o murmúrio das travessias e a queda
palavras vãs a regressar por rios interiores
e o temor dos dias frágeis ao nosso redor

não sabiamos que o fim havia de chegar
e o tempo nunca seria suficiente para este amor
(nunca se aprende a ser feliz, por entre as sombras)
que mais tarde qualquer distância se tornaria inquebrável
como se não tivesse sequer havido um momento certo

não sabíamos ouvir o rumor da memória
o que perdemos no avanço do horizonte
não sabíamos chegar a tempo
ou prever o início desta dor tão serena

agora esperamos pela eternidade… pelo amanhecer
procuramos a poeira as cinzas deste século
vamos morrendo devagar

no fim teremos sempre abril e o silêncio à beira-mar

Está na altura de deixar o passado para trás. Arrumar a casa e o coração. Todos sofremos, todos amamos e choramos quando assim tem de ser. Mas agora está na altura de levantar a cabeça e olhar para a frente.

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