Once upon a time there was a boy.

Nos últimos tempos, por motivos bastante diferentes, vi 3 filmes do género coming-of-age. O esquema é simples: há um personagem principal masculino que está completamente desenquadrado da realidade, e que tem características estapafúrdias (ter o hobby de ler dicionários); há uma família terrivelmente disfuncional que o personagem principal tenta compreender ou explicar (pais separados/ à beira da separação); e há um conjunto de personagens secundárias, mais ou menos desenvolvidas, que podem incluir um interesse amoroso ou qualquer outra coisa que faça despoletar as acções do protagonista, ou seja, que basicamente justificam uma parte significativa do enredo.

Primeiro vi o Perks of Being a Wallflower, e desiludi-me. Uma grande parte da culpa terá sido minha, que li demasiadas críticas e comentários ao filme, e achei que seria um daqueles geniais que um dia mais tarde citamos quando nos perguntar qual é o filme da nossa vida. Não é o filme da minha vida, é um filme sobre um miúdo com problemas, que tem amigos com problemas e uma família com problemas. Parece familiar? Sim, mas mesmo assim foi aborrecido, as personagens são pouco espessas.

Depois vi o Submarine, porque entrei para um projecto de teatro que vai transpor o texto para peça de teatro. Não foi a hora e meia mais mal gasta minha vida, mas está definitivamente no Top 10. Um tédio, de uma ponta à outra. Sem nexo. Situações que não lembram a ninguém (como quando os pais explicam ao miúdo com imensa naturalidade que a mãe fez um handjob ao vizinho). Enfim…

Por fim, Struck by Lightning. Confesso que a principal razão para o achar tolerável é ter como protagonista o Chris Colfer, por quem eu tenho uma queda enorme (sim, eu sei que ele é gay, é a vida). Mas a personagem tem camadas. E a mãe tem camadas. E tirando a questão do relâmpago, que é uma coisa assim de um em um milhão, há um certo nível de realidade nas intenções das personagens.

Para concluir, onde é que isto me levou? Fez-me perceber que a nossa predisposição etária importa mais que tudo. Podemos sempre ver um filme para adolescentes problemáticos, mas já não nos identificamos com aqueles sentimentos. Crescer tem muitas desvantagens.

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