There’s a bridge that crosses the river, and I cross it with you

Tinha decidido não te escrever mais. Porque não fazia sentido: tu não lês o que eu possa escrever, e já não és a pessoa com quem partilho a minha vida. Tinha decidido deixar-te para trás, como se deixa um pedaço de nós: não se deixa. Tinha decidido muita coisa, mas depois tu achaste bem dar um ar da tua graça. E eu fiquei feliz e fiquei triste. Fique feliz que te tivesses lembrado de mim, que ainda te desses ao trabalho de pensar em mim, que eu ainda significasse alguma coisa para ti. Mas fiquei triste, porque foi isso que as tuas palavras me fizeram sentir. Tristeza. Já não és a pessoa com quem eu partilho a minha vida. És uma pessoa que foi importante, mas que já não é.

Penso menos em ti, mas ainda penso em ti. E não tem mal. Lentamente as memórias começam a ser menos frequentes, os sítios começam a ter menos significado, e às tantas aquela música passa a ser só uma música de que eu gosto. Por enquanto ainda é a música que tu adoravas. Mas um dia vai deixar de ser. O amor gastasse, e este gastou-se. Gastou-se, como a roupa demasiado usada, e agora são só memórias que com o tempo se tornam desfocadas. Ninguém escreve baladas quando aceita a tristeza. Escrevem-se estas coisas patéticas, que tu nunca irás ler. E é melhor assim.

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